quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dossiê Serra: caos na segurança (3)


Por Altamiro Borges

No quesito segurança pública a demagogia tucana até poderia dar cadeia. As estatísticas indicam que de 1996 a 2001 houve um aumento da criminalidade em São Paulo. A partir deste ano, várias prefeituras foram forçadas a criar secretarias especiais de prevenção a crimes e a montar guardas municipais, em função do descaso do governo estadual. Em 2.003, com o advento do Estatuto do Desarmamento, milhares de armas de fogo foram recolhidas.

Estas e outras medidas reduziram a criminalidade, principalmente os homicídios dolosos. Mesmo assim, o quadro de insegurança ainda é grave e atemoriza cada vez mais os paulistas. Em 2008 ocorreram 24 chacinas, com 82 mortos. Nos três trimestres de 2009, houve aumento das várias modalidades criminosas, à exceção dos roubos aos bancos – os banqueiros gozam de privilégios. Neste ano, os casos de chacinas, homicídios e seqüestros relâmpagos voltaram a crescer.

Um cemitério de jovens

Os jovens são as maiores vítimas desta barbárie. O Cemitério São Luiz, na Zona Sul da capital paulista, é um símbolo desta tragédia. Ele reúne o maior número de jovens sepultados por metro quadrado no mundo. Sem política de inteligência e de prevenção, os tucanos apelam para a pura violência policial. Em 2007, 438 pessoas foram mortas pela polícia; em 2008, 431 mortos; e, até setembro de 2009, os policiais mataram 400 pessoas.

Segundo especialistas da área, muitos destes atos de violência sequer são registrados em boletins de ocorrência e muitas vítimas são inocentes. Comunidades carentes, como a Favela Paraisópolis e do Jardim Filhos na Terra, já sofreram brutais ataques policiais. A violência também se agrava com a ação dos grupos de extermínio, como os “highlanders”, esquadrão de morte integrado por policiais do 37º Batalhão da PM. Durante o governo José Serra, o grupo ficou famoso por cortar cabeças e mãos das vítimas para impedir a identificação dos mortos.

A rebelião dos policiais

No que se refere ao sistema penitenciário, o caos também é visível. Ele não oferece aos presos as mínimas condições de reinserção na sociedade. Em vários presídios paulistas, celas superlotadas e sem qualquer asseio obrigam o detentos a fazer rodízio para que todos possam dormir. Faltam funcionários, colchões, remédios e até água. São Paulo conta com 147 unidades prisionais, com capacidade para 96 mil presos. Mas os presídios estão abarrotados com cerca de 150 mil pessoas.

O tenebroso quadro de violência preocupa, inclusive, setores da própria polícia, Civil e Militar. Há muitas críticas à orientação tacanha dos governos tucanos. Os opositores desta política são perseguidos, censurados e punidos. Vários oficiais apontam que não há política de valorização da categoria, que recebe um dos piores salários do país. No ranking nacional, São Paulo aparece como décimo nono em rendimentos. O clima entre os policiais é de revolta, o que ficou patente na guerra campal de novembro de 2009 nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes.

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